POR
EURICO BARBOSA
EM 09/10/2009 ÀS 02:14 PM
Euclides da Cunha fora deixado entrar na casa de Dilermando de Assis pelo aspirante da Marinha Dinorah de Assis, irmão mais moço do amante de Saninha. Inteiramente dominado por desvario — “Vim para matar ou morrer” —, revólver em punho, Euclides está defronte a Dilermando, no quarto deste. “O que é isto, doutor?”, o cadete pergunta assustadíssimo. “Corja de bandidos!” — é a resposta-exclamação do escritor. E atira contra Dilermando, “quase à queima roupa”. Ferido e despossuidor de arma naquele momento, o cadete tenta tomar a arma do agressor, avançando com a mão esquerda. Euclides recua e o agredido só consegue agarrar a manga do seu casaco. Recebe um seguro tiro e cai, atingido no peito e a sofrer dores horríveis, estonteado completamente. Dinorah, vendo o irmão ferido e caído, procura agarrar-se a Euclides e desarmá-lo. O escritor atira também contra ele. Dinorah, sem arma alguma, corre em direção ao seu quarto. Euclides acerta-lhe um tiro na coluna vertebral. No momento, Dinorah não sente consequências desse tiro. Nem mesmo por algum tempo. Tanto que daí a uma semana ainda participa de uma partida de futebol pelo seu clube, o Botafogo de Futebol e Regatas, pelo qual ainda vem a se sagrar campeão daí a poucos meses. Mas algum tempo depois começa a sentir hemiplegia. A lesão o inutiliza. Angustia-se. Entra em depressão profunda, suicida-se aos 32 anos, saltando no mar. Sobre esse fato, Dilermando irá registrar em famosa entrevista ao escritor Francisco de Assis Barbosa, publicada pela revista “Diretrizes” em 1941: “Vendo-me em perigo, tenta desarmar Euclides, que dispara contra meu irmão. Desarmado, este corre pelo corredor e ao aproximar-se da porta do seu quarto, Euclides acerta-lhe um disparo na coluna vertebral, inutilizando meu desventurado irmão pelo resto da sua vida” (Este resto de vida foram 12 anos culminados com o suicídio).
Euclides da Cunha escuta os gritos de Saninha e dos meninos (Sólon e o pequenino Luiz, de 2 anos e alguns meses estão com ela escondidos na despensa). Dilermando, caído, vê Dinorah também prostrado, enxerga Euclides e escuta Saninha e as crianças. Apanha o seu revolver e dá um tiro na direção oposta à que estava Euclides, só para amedrontá-lo, mas dando prova de se achar em condições de reagir. Euclides volta pelo corredor no rumo da sala de visitas mas, para surpresa de Dilermando, retoma o ataque. Outra vez para amedrontar o atacante, o cadete atira novamente contra a parede. Como o escritor continua a disparar, Dilermando tenta desarmá-lo com um tiro no punho. Não acerta direito porque Euclides levantara a mão, para alvejar Dilermando. Erra o alvo mas, mesmo assim, o disparo fere Euclides no pulso, sem lhe derrubar a arma. No início do corredor, junto à sala de visitas, Euclides, encostado à parede, atira contra o desafeto (campeão de tiro do Exército) e este grita para ele:
— Fuja, Dr. Euclides, pois não lhe quero matar!
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